Não se assuste quando eu disser que esta palavra é uma das minhas preferidas. O grande Luis Fernando Veríssimo, por exemplo, adora a palavra defenestração. A minha palavra para hoje é profundidade.
Vamos a fundo então: Profundidade: s.f. Distância do fundo à borda, à superfície: profundidade de um rio.
Uma das três dimensões de um sólido.
Fig. Caráter ou qualidade do que é profundo, complexo, difícil de entender: profundidade de idéias.
Atenção especial para a terceira definição: complexo, difícil de entender. O profundo é difícil. E eu amo as coisas mais difíceis. Pois elas exigem muito mais da nossa capacidade, do nosso intelecto. Por isso julgo ser de suma importância. Porque fazer pensar é uma arte. E quanto mais somos levados a pensar, mais desenvolvemos nosso senso crítico. Outra coisa que eu adoro. Porque hoje em dia temos acesso a diversos "produtos culturais". E o senso critico nos faz selecionar o que queremos, o que gostamos, nesse emaranhado de coisas.
Na teoria, o senso crítico funciona maravilhosamente bem. Mas não é o que a gente vê por ai. Não vou discutir preferências. Pois afinal, gosto, cada um tem o seu. Na minha opinião, falta profundidade. A cultura brasileira, por exemplo, tem gênios, que sabem como ninguém preservar a aura das suas obras de arte.
Não sei se feliz ou infelizmente, o Brasil é uma mistura. Aqui tem de tudo. Cada região, cada povo com sua cultura. As pessoas crescem intelectualmente de acordo com o seu meio. E talvez não tenham acesso a outras faces do país. Outras culturas. E na maioria das vezes, a cultura a que são submetidos não tenha a tal profundidade. E francamente, isso me preocupa. Porque não somos forçados a pensar. E quando nos deparamos com a tal profundidade, estamos tão pobres que não tentamos sequer compreender, pensar, refletir. Aprofundar-se.
O contato com a cultura é profundo. Nos causa um impacto imenso. Interfere em quem somos, o que queremos, o que seremos e o que pensamos. Talvez seja hora de mergulhar em águas mais profundas. Procurar nos despir de todo o preconceito com cantores, escritores, artistas que se preocupam em fazer pensar. Pois ser mais profundo é pensar mais. Desenvolver essa máquina fantástica que é o cérebro, aliada ao sentimento maravilhoso que é despertado em nós, seres pensantes. Profundo não?
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